segunda-feira, novembro 04, 2002

Na época em que fiz 24 anos, isto é, a mais ou menos uma semana atrás, eu resolvi que todo dia iria escrever alguma coisa. Qualquer coisa, só para melhorar o meu texto. Como eu não gosto muito de me alongar no que escrevo, os textos teriam que ser pequenos contos, crônicas ou mesmo devaneios aleatórios. Nada de contos longos ou livros.

Mas eu jamais conseguiria escrever alguma coisa, salvar um arquivo no meu computador, e depois nunca mais olhar. Tenho um sentido de vida prático demais para isso. Sempre quis ver resultados imediatos nas coisas que faço, o que até me causa problemas de vez em quando. A paciência não é o meu forte.

Com os meus textos não poderia ser diferente. Por isso eu escrevo textos curtos e sempre os publico. Esse blog não é uma seleção das minhas obras-primas (aliás, que obras primas?), é apenas um lugar para eu despejar toda a sujeira que sai da minha cabeça. Talvez alguém se interesse. Talvez não. Mas pelo menos os textos estão aí para quem quiser ler.
O Sexo II

Eu já transei dentro do ônibus, na última poltrona. Já transei na escada do prédio. Já transei em cama de solteiro, em cama de casal e em cama de motel. Já transei no chão. Já transei em sofá, mas nunca transei em cima de uma mesa. Já transei dentro do carro. Já transei na sala com os pais dela dormindo no quarto. Já transei no quarto dela com a porta destrancada. E a mãe dela entrou. E viu. E eu fiquei a noite inteira sem dormir, com medo do pai dela aparecer com uma espingarda. E ninguém apareceu e no dia seguinte a mãe dela me tratou como se nada tivesse acontecido. E o pai dela nunca soube.

Já brochei. Já fizeram sexo oral em mim e engoliram. Já fizeram sexo oral em mim e cuspiram. Já gozei dentro sem camisinha. Já gozei fora. Já gozei na cara dela.

Já quase transei com a namorada de um amigo meu. E até hoje todo mundo acha que eu transei. E até hoje ele não sabe de nada, e todo mundo acha que ele é corno.

Nunca botei no cu de ninguém. Também nunca ninguém botou nada no meu. Nunca transei com homem. Nunca transei com minha irmã - mas meu irmão já. Nunca participei de uma suruba. Nunca transei no elevador. Nunca transei no cinema. Nunca engravidei ninguém.

Já comi uma virgem. Já namorei uma virgem que não queria dar. Já terminei o namoro por causa disso. Já namorei uma virgem que não queria dar, e mesmo assim continuei o namoro. Porque essa eu amava. E um dia ela se convenceu que eu a amava e transamos. E essa foi a mulher que eu mais amei na minha vida.

domingo, novembro 03, 2002

O Sexo - I

Sexo é um instinto básico. Se existe um registro irremovível no nosso código genético ele é: "faça sexo". Cada espiral do nosso DNA está nos dizendo: "Transe agora!! Rápido!! Me transmita para seus descendentes!!". Se o código genético fosse a única força a nos guiar no momento do sexo, seríamos péssimos amantes. O código genético não se preocupa em agradar a parceira. O código genético não quer ser fiel.

Mas não somos cães, que só trepam por instinto. Apesar de também farejarmos o sexo no ar, temos um fator complicante que nos faz únicos na Terra: o sexo para nós também pode ser a expressão máxima do amor. Fazer sexo com a pessoa que se ama é uma experiência quase transcedental. Uma vez que você faz sexo com amor, você descobre que até então não sabia nada nem sobre sexo, nem sobre amor.

O sexo sem amor é selvagem, é quase uma luta. O sexo com amor é a máxima expressão da cumplicidade. O sexo sem amor 100% físico. O sexo com amor é 100% espírito. No sexo sem amor, cada parceiro está usando o outro para obter a própria satisfação. No sexo com amor os amantes estão se doando um ao outro. Durante o orgasmo do sexo sem amor, cada parceiro só consegue sentir a si mesmo. Durante o orgasmo do sexo com amor, os amantes são um só. Depois do sexo sem amor, os parceiros se afastam, saciados. Depois do sexo com amor, os amantes permanecem juntos, querendo perpetuar para sempre aquele momento.

Sexo sem amor é muito bom. Sexo com amor é muito, muito melhor.

PS: Eu já fiz sexo com amor. Mas não soube cuidar e deixei meu amor ir embora. Dizem que só se ama uma vez na vida. Espero que não seja verdade.
Camile

Camile tinha cabelos negros, lisos e compridos, tão compridos que chegavam àquela região que já não é mais costas mas também ainda não é bunda. Seus seios não eram nem grandes nem pequenos, mas ficavam perfeitos dentro do sutiã e da camisa que era sempre apertada e colada ao corpo. A camisa era sempre curta o suficiente para deixar uma faixa de pele à vista em volta de cintura, como se fosse uma moldura para o sublime umbigo. Sim, o umbigo dela era sublime. O único umbigo sublime do mundo. Ela tinha uma barriguinha, mas muito pequena. Tão pequena que mal se percebia. Era apenas o suficiente para não deixar aparecer marcas de barriga malhada. Também tinha pneuzinhos, daqueles que quem a visse nua nem notaria, mas que dava pra perceber porque ela sempre usava calças justas, deixando-os levemente proeminentes em volta da cinturinha. A bundinha, ah, a bundinha. Mereceria um texto a parte. As pernas eram curtas (Camile era baixinha), mas lindas, afinal, mulher de perna comprida e fina não está com nada mesmo.

Todo esse corpo maravilhoso, escultural, não era nada perto do seu rosto. Emoldurado pelos cabelos perfeitos, um rosto também perfeito. O sorriso enfeitiçava. Quando ela sorria para mim, era como se por uns instante o tempo parasse. A voz era um pouquinho rouca. Quase não se reparava. O riso era o som mais lindo que eu podia ouvir. Eu poderia morrer se fosse para ouvir aquele riso uma última vez. Quando ela me pedia algo, sua voz me hipnotizava. Eu nunca conseguia negar um pedido dela.

Ela estava sempre ali, tão perto de mim, mas tão longe. O que me deixava triste, angustiado, era que eu nunca poderia tê-la. Nunca a teria em meus braços. Nunca beijaria aqueles lábios, nunca faria amor com ela. Camile era a melhor amiga da minha namorada. As duas eram amigas de infância, inseparáveis, irmãs. Eu sabia que mesmo que eu terminasse o namoro, Camile jamais ficaria comigo. Por isso eu continuava com minha namorada. Para poder ficar perto de Camile.